Essa semana, a nossa querida Chloé teve o disparate de dizer para a Mariana que os anos 1980 foram uma droga, ou algo parecido.
Ledo engano. Além de uma enxurrada de fimes fantásticos que ganharam o status de cult, The Goonies, Curtindo a Vida Adoidado, O último virgem americano, As Tartarugas Ninja e todos do John Hughes, eu acho que ela tava falando sobre as músicas.
Eu pensei em falar de Michael Jackson e esse clipe logo veio a minha mente.
Mas aí pensei, “não vou falar do Rei do Pop… que tal alguma banda de hard rock, cabeluda, que a MTV há alguns anos cunhou pejorativamente de “rock farofa” e todos os adolescentes manés da minha época foram atrás?”
Busquei todo o panteão de deuses do Hard Rock oitentista e vi uma banda que disputou cabeça a cabeça as paradas de sucesso dos EUA com o álbum Thriller, de Michael Jackson. Além disso, eles são detentores de uma das histórias mais peculiares do rock.
Senhoras e senhores, Def Leppard
A banda inglesa, formada em 1977 só lançou seu primeiro disco (On Through The Night) em 1980. Com o lançamento desse CD, o grupo chegou nas paradas de sucesso britânicas e abriu shows do AC/DC.
Uma música desse álbum: Let it Go
Depois de três anos, o grupo lançou Pyromania (mas calma, eu não vou falar da discografia completa deles, mas) o CD faz um sucesso absurdo e disputa tento a tento o primeiro lugar das paradas de sucesso com o Thirller. Photograph, outro hino da banda faz parte desse álbum e o clipe é uma homenagem à Marylin Monroe. E olha só, o clipe também substitui “Beat it” de MJ como a mais pedida da MTV americana.
Eles iam tocar no primeiro Rock in Rio, porém – e aqui é a maior peculiaridade da banda – o baterista Rick Allen sofre um acidente de carro e tem o braço esquerdo amputado. Os médicos até tentaram reimplatá-lo, mas sem sucesso.
E o show do Rock in Rio foi pro saco.
O grupo passa quatro anos sem dar as caras e Rick Allen desenvolve uma bateria aonde ele controla o ritmo com os pés e o Def Leppard grava “Hysteria” e o lança em 1987. É o disco de maior sucesso da banda, com mais de vinte milhões de cópias vendidas. O álbum emplacou 12 hits, entre eles a balada Love Bites, as alegres Animal e Pour Some Sugar On Me, que virou hits em boates pornográficas nos EUA.
O filme “Hysteria“, produzido pelo VH1, de 2001 conta a história da banda e vale a pena.
Mas em 1991, o guitarrista Steve Clark morreu por conta do alcoolismo, mais uma tragédia na história dos ingleses. Eles gravam o próximo disco com apenas um guitarrista, Phil Collen, e depois de algum tempo entra para a banda Vivian Campbell, que tinha tocado com o Dio e o Whitesnake.
Def Leppard é uma das cinco bandas de rock que vendeu nos Estados Unidos 10 milhões de discos (cada disco) com dois álbuns originais de estúdio. Os outros são The Beatles, Led Zeppelin, Van Halen e Pink Floyd.
O Def Leppard e sua história peculiar e todas essas bandas dos anos 1980, na minha opinião criaram uma mítica em torno do rock fincada em pilares que são: superação, amizade, alegria, guitarras distorcidas, baixos marcados, baterias provocativas e inventividade. Vale lembrar que à época, homem ter cabelo cumprido, bufante era o diferente. Suas canções são hinos, são versos para cantar junto com mais uma amigo ou 100 mil pessoas em um estádio. A força do rock está exatamente aí. Diferente das bandas dos anos 1960 e 1970, foi nos 1980 que os fãs não gritavam enlouquecidamente para o ídolo ou assistiam chapados, se jogando na lama aos shows. Essa época trouxe o conjunto, público e banda e clamou a independência da nação roqueira ao redor do mundo. E é impressionante, você pode não gostar das mesmas bandas, você pode até arrumar briga com algum cabeludo de camiseta preta por aí. Mas se vocês estiverem em um estádio, com uma banda dessas na frente, vão cantar em coro.
Escrevendo esse post, acabei de descobrir essa música:
E pra fechar, a minha balada preferida deles, lançada em 2002:




