Fiquei em dúvida entre a tristeza e o amor pro post de hoje, mas o clima maneiro dessa quarta-feira me fez decidir, é claro, pelo baixo astral.
Me chamem de masoquista, mas não é gostoso curtir uma fossa? Criar uma playlist chamada bad mood e pensar sobre o quão bagunçada e fora do caminho bonitinho está aquilo que você carinhosamente chama de vida. Fumar um cigarro vendo uma comédia romântica e tomando qualquer bebida alcoólica que tenha sobrado em casa. Quase que um estado contemplativo do fundo do poço. Além disso, a tristeza faz a gente pensar mais, nos porquês da vida.
Segundo Dostoiévski, pensar demais é uma consequência de sofrer da pior doença do mundo: a consciência. Porque se você fosse a Poliana, não ia ter no que pensar já que a vida é linda e tudo é justo e belo. Mas quem tá triste questiona, remói, está constantemente incomodado. Ok, você vai dizer que algumas pessoas são tristes porque são resignadas, mas só a tristeza já significa que ela não se satisfaz na resignação. Uma espécie de tortura mental, que de certa forma é melhor que nenhuma atividade mental como vemos por aí, né?
Não é só a tristeza da dor de corno, mas também tem o que o Carlos Drummond chamou de o sentimento do mundo:
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanheceresse amanhecer
mais noite que a noite
A bossa nova que me desculpe, mas se todo mundo levasse a sério essa história de que é melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe não teríamos um monte de pérolas da literatura e da música. Tantas e tantas que seria meio inútil e injusto fazer uma lista. Por isso, escolhi um cara só. Se você acha que tem o coração partido, não conhece essa fera aqui.
Leonard Cohen é um canadense prestes a completar 77 anos. Quando tinha 9 anos, seu pai morreu. Ao invés de transformar isso em um trauma e futura desculpa para todas as mancadas que ele desse na vida, Leonard fez melhor: tirou da tristeza de criança uma dor madura, que o acompanharia sempre nas suas criações.
O cara escreveu 15 livros e gravou 17 discos tendo como matéria prima o sofrimento. Não só ganhou um Príncipe das Astúrias pelo trabalho literário como é inspiração para um monte de gente: desde músicas para a trilha sonora de Shrek até ter seu nome citado numa música da banda do igualmente triste Kurt Cobain.
O melhor do Leonard, além da voz que já te faz querer pular da ponte mais próxima, são as letras. Olha só o que o cara tem as manha de dizer em Dance Me To The End of Love, sem falar em Hallellujah, a tal do Shrek, que diz que o amor não é uma marcha da vitória, é um “aleluia” gelado e quebrado. Isso que é o ~legal~: todas as suas músicas criam essa atmosfera sombria e doída, levando quem ouve a escarafunchar suas próprias feridas e lembrar das coisas que machucam e a gente evita lembrar.
Outras Fossas
Tem gente que nasceu pra fazer coisas que levam a gente lá pro subterrâneo. Mas, pesquisando um pouco, dá pra descobrir músicas tristes das bandas mais inusitadas, como a Velhas Virgens, que escreveu Não Vale Nada, uma das top of the top da bad, com direito a citação de Augusto dos Anjos. Viu? Até os alcoólatras da putaria passam por isso alguma vez.
Achei que seria injusto falar de tristeza e não falar de O Que Será (A flor da pele), do Chico e também de O Mundo é um Moinho, do Cartola. Também acho que deixei muita coisa de fora, então me diga você: que música, livro, filme te faz querer deitar e torcer pra um raio cair na sua cabeça?
ps.: não citem sertanejo universitário pelo amor de deus.
Hallellujah é de comer os próprios dedos! Mas já que você pediu…
Mad World regravada por Gary Jules
http://grooveshark.com/s/Mad+World/8jT4M?src=5
E Hurt pelo Nine Inch Nails
http://grooveshark.com/s/Hurt+album+Version+clean+/2JKsLf?src=5
Acaba comigo.
Everybody Hurts, do REM. Só quero morrer milhões de vezes quando ouço essa =~~
Pedaço de Mim, do Chico. A letra é tão forte que se traduz em dor física pra mim.
Isso mesmo galera, vamos se jogar nessa viagem maluca rumo ao buraco
Adorei o txt! Com ele, me dei conta de como minha “deprêylist” é vasta! rs
Das que me recordo agora, está “Pedaço de Mim”, do Chico Buarque – embora eu a prefira na voz do Francis Hime, em dupla com a Gal. A letra eh de cortar os pulsos!
À beira do suicide estah também “Formicida, corda e flor”, da Nana Caymmi, “Adagietto” da 5a, de Mahler, “Nessum Dorma”, de Puccini, “Long and Winding Road”, dos Beatles – soh a versão do Let it Be…Naked – e “Shoot me down”, do Nick Cave.
Slipknot – Snuff (http://www.youtube.com/watch?v=kgN5iBFI-PY) é pros dias que eu to até o pescoço no fundo do poço.
Slipknot – Vermilion Pt.2 – (http://www.youtube.com/watch?v=LvetJ9U_tVY) idem
My December – Linkin Park (http://www.youtube.com/watch?v=tqgAAqCqiBI) tb é lá pra baixo
qualquer coisa do Jeff Buckley (inclusive, claro, a versão da dita cuja Hallellujah). Ouvir o Grace inteiro significa: doritos, toddynho e suicídio certeiro.
Realmente, Jeff Buckley não é fácil…
Mr Brightside, Miserable at Best (Mayday Parade), Between You And I (Every Avenue), nossa, tem tantas… :’(
Como assim ninguém falou em Adele até agora?
Oloco, verdade! A nova rainha do broken heart!
Papel machê, de João Bosco…e quando o raio cair e eu estiver lá, no repouso, forever, ela estará tocando. Bjs. Regina
Um monte de boas dias e etc, mas a música mais triste existente no acervo da humanidade é essa:
O arranjo e o corinho dão vontade de chorar instantaneamente.
Gosto do seu jeito, da sua luz e das suas trevas, em cada palavra há algo de divino e da soberba da sua inteligência ( poucos podem ser soberbos!).
Parabéns!
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